Uma casa pode ter móveis impecáveis, uma paleta de cores bem resolvida e ainda assim parecer um pouco… sem graça.
O problema muitas vezes não está nos móveis. Está na falta daqueles pequenos detalhes que fazem um ambiente parecer vivido, interessante e pessoal.
É aí que entram as composições decorativas.
A ideia é simples: reunir alguns objetos sobre uma superfície e fazer com que eles funcionem como um pequeno cenário. Um vaso, alguns livros, uma luminária, uma fotografia, uma peça artesanal, uma planta. Separadamente, são apenas objetos. Juntos, criam uma história visual.
E não é preciso ter uma casa enorme, uma coleção de antiguidades ou um orçamento ilimitado para experimentar.
Decoração também é composição
Pense em uma mesa de centro, um aparador, a bancada da cozinha ou uma prateleira. Em vez de distribuir objetos aleatoriamente, escolha alguns elementos e organize-os como se estivesse criando uma pequena natureza-morta.
O princípio é parecido com o trabalho de um cenógrafo: cada elemento tem uma função dentro do conjunto. Um objeto pode criar altura. Outro acrescenta textura. Um terceiro introduz cor. Uma planta traz movimento. Uma fotografia conta alguma coisa sobre quem mora ali.
O resultado não precisa parecer perfeitamente calculado. Pelo contrário. Um pouco de espontaneidade costuma cair bem.
Comece por uma peça que tenha presença
Toda composição precisa de um ponto de partida. Pode ser um vaso grande, uma obra de arte, um espelho, um abajur ou mesmo uma escultura.
Escolha primeiro o elemento que você quer que tenha mais destaque. Depois, construa o restante ao redor dele.
Essa estratégia é especialmente útil quando você está começando do zero. Em vez de tentar decidir o lugar de dez objetos ao mesmo tempo, comece com um e deixe que ele conduza os próximos.
Misture alturas, materiais e texturas
Uma das maneiras mais fáceis de criar interesse visual é variar as alturas. Combine um objeto alto com elementos médios e pequenos. Livros empilhados são ótimos para elevar peças menores e criar diferentes níveis dentro da composição.
Também vale misturar materiais. Cerâmica com madeira. Vidro com metal. Fibras naturais com superfícies mais lisas. Livros com objetos artesanais.
Não é necessário que tudo combine perfeitamente. Uma composição excessivamente coordenada pode acabar parecendo artificial.
O contraste é parte da graça.
Acrescente alguma coisa viva
Folhagens e flores têm uma capacidade impressionante de melhorar uma composição.
Um galho em um vaso pode trazer movimento. Uma pequena planta pode suavizar uma coleção de objetos rígidos. Flores frescas acrescentam cor e uma sensação de mudança, porque nunca permanecem exatamente iguais.
E não precisa ser muito. Às vezes, um único elemento natural é suficiente para quebrar a aparência excessivamente estática de uma composição.
A luz também faz parte da decoração
Uma pequena luminária, um abajur ou uma vela podem acrescentar outra camada ao arranjo.
Durante o dia, esses elementos participam da composição. À noite, passam a criar atmosfera.
É uma maneira simples de fazer com que o mesmo cenário tenha outra aparência depois que o sol desaparece.
Coloque alguma história no meio
Talvez esta seja a parte mais importante. Uma casa interessante não deve parecer como se fosse um showroom.
Inclua objetos que tenham alguma relação com você: uma lembrança de viagem, uma fotografia, uma peça que você mesma fez, um livro que você realmente gosta ou aquele objeto curioso que não teria nenhuma obrigação de estar ali, mas que você adora.
São essas pequenas imperfeições pessoais que fazem uma composição deixar de ser apenas bonita e começar a ter identidade.
E então retire alguma coisa
Existe uma tentação natural de continuar acrescentando. Mais um vaso. Mais um livro. Mais uma vela. Mais um objeto.
Até que, de repente, a composição está fazendo hora extra.
Então, lembre-se da famosa frase de Coco Chanel: “antes de sair de casa, olhe-se no espelho e tire um acessório”. Ou seja, quando terminar, afaste-se e observe o conjunto. Se alguma coisa estiver competindo demais com outra, experimente retirar.
Espaço vazio também é elemento de composição. Às vezes, o objeto que faltava era simplesmente… nenhum.
Não existe uma fórmula única
Você pode criar uma composição minimalista com três objetos ou uma coleção mais exuberante, cheia de livros, plantas, cerâmicas e objetos encontrados ao longo do tempo.
Pode apostar em tons neutros ou usar a composição para introduzir uma cor inesperada.
Pode criar algo sofisticado, rústico, retrô, contemporâneo ou uma mistura de tudo isso.
O importante é que os objetos tenham alguma relação entre si. E não necessariamente porque são do mesmo estilo. Às vezes, a relação mais interessante acontece justamente entre peças que não combinam perfeitamente.
Pequenos cenários, grandes mudanças
Uma das vantagens das composições decorativas é que elas permitem transformar um ambiente sem trocar os móveis.
Mude os objetos do aparador. Troque as flores. Acrescente uma luminária. Empilhe alguns livros. Experimente outra combinação de cores.
É quase uma pequena reforma, só que sem obra, poeira ou pedreiro perguntando onde fica a tomada.
Para ajudar nessa experiência, selecionei algumas peças que podem funcionar bem em diferentes tipos de composição. São objetos versáteis, pensados para combinar entre si e também para serem incorporados ao que você já tem em casa.
Afinal, decorar não é preencher espaços. É escolher o que merece ocupar cada um deles.
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