Inteligente sim, e daí?

Inteligente sim, e daí?

Eu me considero uma pessoa inteligente, compreendo conceitos com facilidade, sou capaz de fazer comparações, formular ideias, planejar, organizar. Tá, mas e daí? O que vivo me questionando é se faço tudo isso usando caminhos e soluções já conhecidas ou se sou capaz de criar novos caminhos ou de combinar caminhos já existentes para chegar ao meu objetivo. Ou seja, sou criativa? Questiono o suficiente? Tenho sensibilidade para perceber possibilidades de mudança? Rompo padrões de pensamento? Penso fora da caixa?

Inteligente sim, e daí?

Vejam do que estou falando: no último sábado assisti a uma palestra na Casa do Saber com o tema Inteligência Criativa e o palestrante, Alessandro Vassalo-Rossi, contou como a empresa dele, a VRD Research, solucionou um problema que havia sido passado para eles pela Johnson&Johnson: Descubram o que podemos melhorar e inovar nos nossos produtos de cuidados para bebês.

Bem, o que fariam pessoas apenas inteligentes? Provavelmente fariam uma pesquisa de mercado bem abrangente, elaborariam um questionário minucioso e sairiam às ruas perguntando a pais o que eles gostariam que fosse melhorado nos produtos, do que sentem falta, o que não está agradando, e, por fim, submeteriam os resultados à avaliação de estudiosos no assunto.

Inteligente sim, e daí?Mas não, além de inteligente, o pessoal da VRD é criativo e fez diferente: eles selecionaram um grupo de famílias com bebês recém-nascidos, muniram as mamães com câmeras com um suporte de cabeça e as instruíram a usá-las sempre no momento da troca de fraldas. O resultado? Eles puderam observar com detalhes, sem interferência, sem ideias preconcebidas e sem opiniões de terceiros, o comportamento de cada uma das famílias ao usar os produtos durante as rotinas da higiene do bebê. E, de quebra, ainda ganharam a opinião dos bebês, já que podiam também observar suas reações aos produtos. Genial, não?

Isso me fez lembrar um trecho da biografia de Steve Jobs, que fui procurar para passá-lo aqui exatamente com as palavras dele:

Alguns dizem: “Deem aos consumidores o que eles querem”. Não é assim que eu penso. Nossa tarefa é descobrir o que eles vão querer antes de quererem. Acho que Henry Ford disse certa vez: “Se eu perguntasse aos consumidores o que queriam, eles teriam dito: ‘Um cavalo mais rápido!’”. As pessoas não sabem o que querem até que a gente mostre a elas. É por isso que nunca recorro a pesquisas de mercado. Nossa tarefa é ler coisas que ainda não foram impressas.

Minha conclusão: Ser inteligente é legal, mas ser criativo é o que realmente faz a diferença.

E a minha pergunta: é possível aprender a ser criativo?




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